O trabalho de Pablo Rubio apresenta-se como uma proposta de reflexão e diálogo entre o espectador e o lugar, como ponto de partida que nasce da profundidade da mente e da memória.
Na obra de arte, a sua intimidade procura aprofundar-se num espaço sagrado, individual e colectivo, num espaço arquitectónico denominado por um "sem lugar", simbólico e mental, aprofundado e alimentado pelos olhares que o habitam, que o ocupam e empurram, como uma memória perdida, infantil e recuperada. Uma memória habitada.
Pablo procura suscitar questões incertas sobre o tempo, sobre um tempo, relativo a um pensamento que parte, nasce, arranca do ser para regressar novamente, vezes sem conta, de forma ascendente. Faz referência a um lugar para o qual fomos escolhidos, no qual se procura sentir o interior, observar intimamente o caminho da união, albergado e protegido para a ausência, a dor, a ilusão, infância volátil e recuperada, questionando instantes e segredos, memórias e arquitecturas entrelaçadas.
O artista busca uma descoberta pessoal, um convite ao sonho, um habitáculo onde encaixam as realidades mais intensas e uma comunicação automática, questionando os estados da identidade humana, e fomentando a participação do espectador.

Assim, as cordas térreas e negras transformam-se nas nossas bases vitais. Livros velhos, sujos e rasgados. Papéis grisalhos e oxidados que absorvem todo o nosso ser para mais tarde elevá-lo a um presente caducado. Uma memória futura, anexada a um sonho vencido, esquecido. Uma desconstrução do ser por vezes individual, outras vezes colectiva. Uma multiplicação histórica e busca mitológica, mística, ao fluxo da vida. Auto-retratos mutilados, cegos e fragmentados.
Fala de refúgios, afirmação e aceitação, pureza e renovação. De uma linguagem entre a intimidade e o espaço, num voo nocturno silencioso e ensurdecedor. Recordações enevoadas e líquidas como um testemunho despido de silêncio, uma viagem que termina no seu destino, vestígios antigos, oxidados e luminosos, que se dissipam continuamente entre as nossas pegadas... hipnóticas, recordações como papéis fragmentados. Memórias desaparecidas.
E encontradas.

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